A Freguesia do Ó nos seus 433 anos de fundação - Parte 2

Fala de abertura da Festa, em 28 de agosto de 2013,
por: Benedito Camargo, na Casa de Cultura Salvador Ligabue, Freguesia do Ó, São Paulo, SP, Brasil


ATO INTER-RELIGIOSO
¬ A mesa foi composta pelo Exmo. Sr. Eduardo Peres Palia, digníssimo Subprefeito da Freguesia do Ó/Brasilândia que abriu a sessão. A fala de abertura - texto ao lado - coube ao Sr. Benedito Camargo, Católico, diácono da Arquidiocese de São Paulo e antigo morador no bairro. Outros líderes de Entidades Religiosas da Região; Igreja Assembléia de Deus , Kardecista, Evangélica Metodista e Umbanda.
A organização e direção dos trabalhos bem como a composição da mesa coube ao então Coordenador da Casa de Cultura Salvador Ligabue, Sr. Rodrigo Carvalho. As falas dos representantes das Entidades Religiosas presentes, se deu de acordo com o sorteio prévio.


Finalmente em 27/01/1901 é inaugurada a nova Matriz


Os grandes Personagens de nossa História

"A História é a grande Mestra", e olhando para trás, podemos vislumbrar os Personagens dessa epopeia, que nós hoje, como beneficiários, podemos aproveitar o que de bom produziram. Nos registros encontramos testemunhas oculares que aqui viveram, ou, por aqui passaram. Deixaram marcas e informações em suas épocas, aqui vividas. Os verdadeiros construtores de nossa História foram pessoas como nós. Não perguntaram; “o que vou ganhar com isso?" Meteram a “mão na massa”, e fizeram, cada um conforme sua situação e estado de vida, Índios, Mamelucos, Colonizadores, Governantes, Religiosos, Negros, Educadores, Pesquisadores, Palhaços, Músicos, Artistas plásticos, Estrangeiros de tantas Raças e Países, Homens e Mulheres.

Não podemos deixar de destacar o papel da Mulher na construção de nossa Freguesia do Ó. A Mulher é a geradora e mantenedora da Vida, é a Ternura e alegria da casa, sempre deixada em segundo plano, como serviçal e não como protagonista. Foram tantas, em muitas as épocas, mas cinco criaturas dão-nos hoje, motivo de aplauso, e de gratidão.
Como é sabido, na esquadra de Cabral trouxeram uma pequena imagem representando a Mãe de Jesus, sob o título de "Senhora da Esperança", que era devoção do chefe da esquadra, "o achador do Brasil", e venerada em sua cidade natal, Belmonte, em Portugal. Esta figura é para nós o ponto de partida de nossa História, Maria, a Mãe de Jesus, também venerada pela esposa do fundador de Bairro, dona Águeda Rodrigues. Lembro também a outra Mulher; Terebê, índia guaianás, filha do morubixaba Tibiriçá, o guardião dos Jesuítas, os fundadores de São Paulo. Terebê é mãe de outra Mulher muito especial que deu origem aos formadores de nosso bairro e adjacência, Clara Parente, Mameluca, casada com Pero Dias, e dessa união nasceu Águeda Rodrigues, figura de destaque em nossa História. Casada com Manuel Preto, Águeda Rodrigues foi a grande figura que alavancou o progresso da região, que nas grandes incursões do marido pelo sertão, na caça aos índios, ficava dirigindo os trabalhos da fazenda, e pedia a proteção de Deus sob o olhar da "Virgem da Esperança", também chamada de "Expectação". Não menor pela importância em nossa História, homenageamos também a Rainha de Portugal, dona Maria I, "a santa", mais tarde chamada de "a louca". Foi através de um decreto seu, que fomos emancipados da Freguesia da Sé, quando em 15 de setembro de 1796, foi desmembrada a dita Freguesia, em outras duas porções dos "Filii Eclaesia" - Filhos da Igreja - já que nesta época, o Padroado, era o regime de governo.

Outras tantas figuras, Mulheres, Homens e até animais, mereceriam destaque nesta nossa homenagem, são tantos que poderíamos cometer o deslize de não mencioná-los. Por isso só relembraremos alguns feitos sem seus autores.

Quando do grande incêndio da antiga Matriz, no dia 22 de novembro de 1896, ao pedido de socorro, a multidão acorria com baldes d'agua para debelar o fogo, inimigo voraz, que consumiu tudo, muito mais rápido que a ação e a vontade dos moradores. Quanto sofrimento e dor, e daquele fato surgiu uma força, e dessa união resultou o planejamento e a construção da nova Matriz.
Destaque nessa tarefa foi o trabalho dos animais utilizados na busca da água, trazida do Tietê, que possibilitou a construção do novo prédio. Mulas foram utilizadas. Como é sabido, esses muares, orientados em processo repetitivo, passam a executar as tarefas, sozinhos, e assim, iam e retornavam do rio sem condutores, bastando ter alguém que colocasse a carga ao lombo e quem descarregasse.

Quantos outros anônimos e esquecidos tiveram papel importante em nossa História. O Índio forçado ao trabalho, o Negro escravo e tiranizado como inferior, que tanto produziram. Momento para homenagear e pedir perdão, a todos àqueles que trabalharam e produziram o progresso, e dele, nada usufruíram.


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